O Instituto Butantan, uma das mais prestigiadas instituições de pesquisa biomédica do Brasil, tem estado na vanguarda de uma descoberta inovadora: uma pomada cicatrizante formulada a partir de um composto isolado do fungo Exserohilum rostratum. Este fungo, curiosamente, é encontrado na Caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro, conhecido pela sua vegetação adaptada a condições semiáridas.
O mais fascinante nesta descoberta é que o composto do fungo não foi inicialmente estudado pelas suas propriedades cicatrizantes. As pesquisadoras do Butantan começaram por investigar o Exserohilum rostratum pelo seu potencial antitumoral. No entanto, durante as suas investigações, foi revelado um notável potencial na regeneração celular, demonstrando a capacidade de promover a cicatrização de feridas de uma forma particular e muito desejável: sem a formação de queloides.
A formação de queloides é um desafio comum na cicatrização de feridas, resultando em cicatrizes salientes e, por vezes, dolorosas e esteticamente desfavoráveis. A capacidade desta pomada em evitar a sua formação é um dos seus maiores trunfos. A formulação atua, aparentemente, ao estimular a produção de colagénio, uma proteína fundamental para a estrutura da pele. Contudo, ao contrário de uma cicatrização desorganizada que leva a queloides, esta pomada parece promover uma recuperação mais uniforme e estética da pele.
Desde que estes resultados promissores foram alcançados, o Butantan tomou as devidas providências para proteger a sua inovação. A instituição solicitou a patente da pomada em 2018, um passo crucial para garantir os direitos sobre a descoberta e abrir caminho para a sua eventual comercialização. Atualmente, o Instituto Butantan está a procurar parcerias comerciais, nomeadamente com a startup BiotechnoScience Farmacêutica, para que esta pomada inovadora possa chegar ao mercado e beneficiar um vasto número de pacientes.
Este desenvolvimento sublinha a importância da biodiversidade brasileira como fonte de novos compostos com potencial terapêutico. A Caatinga, em particular, pode guardar muitos outros segredos farmacológicos ainda por descobrir. Além disso, o caso desta pomada destaca a transferência de tecnologia e a colaboração entre instituições de pesquisa e empresas, um modelo essencial para que as descobertas científicas se traduzam em produtos e tratamentos que beneficiem a sociedade.
É um exemplo notável de como a pesquisa básica pode levar a aplicações clínicas com um impacto significativo. Esperamos que esta pomada chegue ao mercado em breve, oferecendo uma nova e eficaz opção para o tratamento de feridas.

