A Givachoice Garments converteu o seu complexo industrial de três pisos e cinco mil metros quadrados, em Seroa, Paços de Ferreira, num polo de alta tecnologia direcionado para a exportação total da sua produção para mercados como a Alemanha, França, Reino Unido e Austrália. A empresa familiar, que nasceu em 2012 e já expandiu as suas instalações por três vezes, destaca-se no setor têxtil pela integração de sistemas robotizados avançados que transformam tecidos nobres para algumas das maiores marcas de luxo do mundo, como a Dior, Carolina Herrera, Hugo Boss, Marc Cain, Isabel Marant, Sézane ou Courrèges. Complementarmente, a empresa mantém uma unidade em Gondomar para dar resposta a peças delicadas de confeção manual, mas é em Seroa que a transição digital se faz sentir com maior impacto, operando com cinco linhas de produção integradas que cobrem desde o corte até à expedição.
A modernização tecnológica da fábrica é visível na introdução de maquinaria de corte automático de última geração, adquirida em 2018 e 2023, que permitiu alavancar a produtividade interna em cerca de 80 por cento. Um dos equipamentos opera de forma quase autónoma, recorrendo a sistemas de visão artificial para fotografar os rolos de tecido, identificar padrões complexos e posicionar o material para executar um corte com precisão milimétrica. Esta tecnologia de ponta é essencial no processamento de materiais exigentes como a seda, onde o alinhamento perfeito dos desenhos chega a implicar um desperdício planeado de 40 por cento do tecido. Uma segunda máquina digitalizada complementa o fluxo de trabalho, sendo capaz de cortar até 20 peças em simultâneo e processar uma média de 1.500 unidades por dia. Para sustentar esta infraestrutura tecnológica sem interrupções, a fábrica dispõe de uma oficina própria com três engenheiros mecânicos focados na manutenção e otimização dos equipamentos.
A par da inovação no corte e na confeção, onde mais de 120 costureiras aplicam técnicas de elevada precisão, a Givachoice Garments aplica a tecnologia na gestão de resíduos, encaminhando cerca de 96 por cento das sobras têxteis para a indústria automóvel francesa, onde são transformadas em isolamentos e revestimentos. Com 260 trabalhadores e uma faturação de 12,8 milhões de euros no último ano, a administração financeira da empresa sublinha que as melhorias na eficiência abrem margem para crescer. A expectativa da gerência é que, ao atingir a velocidade de cruzeiro com o aproveitamento total da capacidade produtiva instalada, a faturação possa ascender aos 14 ou 15 milhões de euros. Este avanço competitivo surge numa altura em que a empresa começa a explorar o potencial do mercado da América do Sul, impulsionada pelas novas perspetivas do acordo do Mercosul.

