A física moderna voltou a desafiar as perceções sobre os limites do universo ao conseguir manipular impulsos de luz de forma a que estes pareçam deslocar-se a velocidades superiores à da luz no vácuo. O feito, alcançado através da utilização de metamateriais quânticos e campos eletromagnéticos ajustados com precisão, não viola a Teoria da Relatividade Restrita de Albert Einstein, mas abre horizontes promissores para o futuro da informação e da computação.
O segredo desta proeza reside na diferenciação técnica entre a velocidade dos fotões individuais e a velocidade de grupo de um impulso luminoso. Ao cruzar meios de propagação especialmente concebidos, as várias ondas que compõem o feixe de luz sobrepõem-se e moldam-se mutuamente, fazendo com que o pico da onda se reconstrua mais à frente a um ritmo acelerado. Trata-se de uma reorganização estrutural do próprio impulso e não do transporte de partículas de matéria ou energia a uma velocidade proibida pelas leis da física.
Uma vez que nenhuma informação com relação de causalidade ultrapassa a barreira do limite universal, os pilares da física relativista mantêm-se intactos. A alteração de um sinal na origem continua a respeitar o tempo estipulado pela velocidade da luz para alcançar o seu destino, garantindo que o princípio da causalidade não é violado.
Apesar de não permitir telecomunicações instantâneas nem viagens no tempo, a capacidade de controlar e acelerar a propagação da luz representa um avanço estratégico para a engenharia tecnológica. O domínio desta técnica promete otimizar o processamento de dados em microchips óticos, aprimorar a precisão dos sistemas de laser de alta energia e impulsionar o desenvolvimento da computação quântica, transformando em realidade operacional conceitos que até há pouco pertenciam ao domínio da ficção científica.
A experiência histórica mais emblemática e diretamente ligada a este conceito ocorreu no NEC Research Institute, em Princeton, Nova Jérsia (EUA).
A investigação foi liderada pelo físico Lijun Wang (juntamente com os investigadores Alexander Kuzmich e Arthur Dogariu). Na altura, a equipa fez passar um impulso de luz laser através de uma câmara cheia de vapor de césio especialmente preparado. Ao entrarem na câmara, as ondas de luz sobrepuseram-se de tal forma que o pico do impulso saiu da câmara antes de o ponto mais alto do impulso original ter entrado completamente, criando um efeito superluminal equivalente a 310 vezes a velocidade da luz, sem violar a relatividade de Einstein.
Desde então, experiências semelhantes e evoluções desta técnica com metamateriais quânticos, plasmas e guias de ondas óticas têm sido conduzidas por vários outros centros de investigação mundiais, nomeadamente na Universidade de Rochester (sob a liderança do físico Robert Boyd), na Universidade da Califórnia em Berkeley (por Raymond Chiao) e no Laboratório Nacional Lawrence Livermore (EUA).

