A Revolução dos “Medicamentos Vivos”: Microrganismo Programado Luta Contra os Cálculos Renais

Imagine ingerir um microrganismo capaz de combater cálculos renais e que, ao deixar de receber alimento, desaparece sozinho do corpo.

Pesquisadores conseguiram exatamente esse feito. Num estudo recente, uma bactéria intestinal foi geneticamente modificada para auxiliar na quebra do oxalato, substância que se pode acumular no organismo e provocar dolorosas pedras nos rins.

Para garantir que esse microrganismo não saísse do controle, os cientistas tornaram-no dependente de um açúcar raro presente em algas marinhas, chamado porfirana. Enquanto o paciente consome essa substância, a bactéria sobrevive e desempenha a sua função; quando a digestão é interrompida, ela desaparece naturalmente do intestino.

Nos primeiros testes em seres humanos, observou-se que quem consumiu porfirana apresentou aumento da bactéria projetada, mas que a sua presença caiu rapidamente quando o açúcar deixou de ser ingerido. Além disso, os voluntários que ingeriram o microrganismo mostraram redução dos níveis de oxalato na urina, o que indica menor probabilidade de formação de cálculos renais.

Apesar dos avanços, ainda há um desafio: algumas bactérias sofreram mutações que lhes permitem sobreviver mesmo sem a porfirana, o que levanta dúvidas sobre a segurança a longo prazo. Ainda assim, os cientistas entendem este desenvolvimento como um passo decisivo rumo ao uso de microrganismos projetados como medicamentos vivos, capazes de serem controlados e ativados ou desativados dentro do corpo humano.

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