O Projeto Amália e a Consolidação da Inteligência Artificial em Português Europeu

A autonomia tecnológica nacional alcançou um marco histórico com o lançamento oficial do Amália, o primeiro grande modelo de linguagem multimodal e de código aberto desenvolvido especificamente em português europeu. Criado para servir como uma infraestrutura digital estratégica, o projeto recebeu um importante reforço financeiro que eleva o investimento total para sete milhões de euros, consolidando o compromisso de longo prazo com a inovação digital e com a preservação da identidade linguística e jurídica no ecossistema tecnológico.

O desenvolvimento deste modelo foi o resultado de dezoito meses de investigação científica intensa, unindo um consórcio de mais de sessenta investigadores e estudantes de cinco prestigiadas instituições de ensino superior portuguesas, sob a coordenação da Nova FCT e com a colaboração do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Coimbra, entre outras. A fase inicial do projeto, que incluiu uma versão de testes e a posterior validação da vertente multimodal, representou um investimento de 5,5 milhões de euros financiados através do Plano de Recuperação e Resiliência. O recente reforço de 1,5 milhões de euros estende a execução do projeto até ao final de 2027, garantindo a evolução contínua da tecnologia e a criação de uma infraestrutura soberana forte.

Ao contrário das soluções comerciais proprietárias e estrangeiras, o Amália destaca-se por ser um modelo inteiramente auditável, transparente e disponibilizado em código aberto através do portal público dedicado à inteligência artificial. Esta abordagem permite que o ecossistema científico, as universidades, as empresas e a própria Administração Pública possam descarregar, adaptar e integrar a tecnologia nas suas próprias aplicações de forma segura, garantindo o respeito pela proteção de dados e a independência face aos gigantes tecnológicos globais. Por ser multimodal, o sistema apresenta a capacidade avançada de processar e gerar não apenas texto, mas também imagem e fala, sempre com foco absoluto nas especificidades e normas do português de Portugal.

A aplicação prática do Amália está desenhada para transformar de forma profunda a eficiência dos serviços públicos e modernizar a interação com os cidadãos. Entre as primeiras integrações previstas encontram-se os canais de atendimento digital do Estado e a aplicação móvel gov.pt, com o objetivo de simplificar processos administrativos e reduzir os tempos de resposta. O modelo servirá também de base a ferramentas setoriais específicas, como o sistema de licenciamento inteligente para otimizar análises regulatórias, além de soluções customizadas para as áreas da saúde, justiça, finanças e contratação pública.

A próxima etapa de desenvolvimento, delineada para os próximos meses, focar-se-á na chamada agentificação do modelo. Esta evolução técnica permitirá expandir as capacidades do Amália para além da simples resposta a comandos textuais ou visuais, transformando-o num sistema de agentes inteligentes capazes de executar tarefas autónomas, encadeadas e de elevada complexidade. Com este horizonte de crescimento contínuo e a garantia de financiamento assegurada para os próximos anos, Portugal estabelece uma base sólida para a competitividade económica, capacitando a sociedade civil e o tecido empresarial com ferramentas de inteligência artificial soberanas e adaptadas à realidade nacional.

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