No vasto campo da neurobiologia mundial em 2026, poucos nomes brilham com tanta intensidade como o de Mónica Sousa. Investigadora principal no i3S (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto), Mónica Sousa tornou-se uma figura central na ciência contemporânea ao liderar descobertas que podem, finalmente, abrir caminho para a cura de lesões na espinal medula.
O trabalho de Mónica Sousa ganhou projeção global definitiva após a sua equipa ter identificado o primeiro mamífero capaz de regenerar a espinal medula após uma lesão completa: o rato espinhoso (Acomys cahirinus).
Historicamente, acreditava-se que esta capacidade estava limitada a animais como salamandras ou peixes. Ao provar que um mamífero possui os mecanismos genéticos e celulares para voltar a andar após uma paralisia, a equipa de Mónica Sousa quebrou um dogma científico e ofereceu uma nova esperança à medicina regenerativa.
A excelência do seu percurso foi coroada com a atribuição de uma das distinções mais competitivas do mundo: a ERC Advanced Grant, no valor de 2,5 milhões de euros. Este financiamento, concedido pelo Conselho Europeu de Investigação, destina-se a cientistas de topo com projetos de alto risco e alto benefício.
O projeto atual da investigadora foca-se em:
- Identificar os Travões Genéticos: Perceber por que razão os humanos (e a maioria dos mamíferos) perdem a capacidade regenerativa que o rato espinhoso mantém.
- Reprogramação Celular: Desenvolver estratégias para “reativar” os genes da regeneração em tecidos humanos lesados.
- Novas Terapias: Criar protocolos clínicos que possam, no futuro, ser aplicados em pacientes com paralisias traumáticas.
Mónica Sousa é também um exemplo de liderança científica em Portugal. Como coordenadora do grupo de investigação Nerve Regeneration, tem sido fundamental para posicionar o Porto como um centro de excelência em neurociências. O seu método combina interdisciplinaridade, cruzando biologia molecular, genética e bioengenharia com rigor ético, conduzindo investigações complexas com os mais elevados padrões internacionais e mentoria, formando uma nova geração de cientistas portugueses que já começam a destacar-se em redes de investigação mundiais.
Mónica Sousa representa a tendência da “Ciência com Propósito”. Numa era em que a biotecnologia é vista como a nova fronteira da economia, o seu trabalho não é apenas académico; tem o potencial de transformar a vida de milhões de pessoas com incapacidades motoras.
A sua distinção em 2026 como uma das portuguesas mais influentes na ciência é um reflexo da maturidade da investigação nacional, provando que, a partir de laboratórios em Portugal, se estão a escrever os próximos capítulos da medicina mundial.
Mónica Sousa é a arquiteta de uma ponte entre a biologia fundamental e a prática clínica. A sua investigação sobre o rato espinhoso é, possivelmente, o passo mais sólido dado nas últimas décadas em direção à reversão de lesões medulares em seres humanos.

