O realizador português Cláudio Sá conquistou um importante reconhecimento internacional no prestigiado Festival de Annecy 2026, em França. O seu filme de animação, intitulado “The Nose”, foi distinguido como uma das três obras vencedoras da Dreamina AI International Animation Summit. Esta competição internacional é promovida pela plataforma Dreamina e foca-se especificamente no desenvolvimento de cinema de animação com o suporte de ferramentas de Inteligência Artificial, integrando o programa oficial de um dos maiores festivais de animação do mundo.
O Dreamina AI International Animation Summit, integrado no prestigiado Mercado Internacional do Filme de Animação de Annecy, consolidou-se como um dos palcos mais relevantes para a discussão e exibição de projetos que cruzam a tecnologia generativa e o cinema tradicional. Este evento, promovido pela plataforma de criação audiovisual Dreamina — uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela tecnológica ByteDance —, tem como principal objetivo dar visibilidade a criadores que utilizam modelos algorítmicos avançados para expandir os limites da narrativa visual e da cinematografia de animação.
A edição de 2026 do certame gerou uma enorme adesão a nível global, registando uma convocatória aberta que atraiu quase três mil candidaturas oriundas de diversos pontos do mundo. Perante este volume substancial de propostas, um júri internacional composto por profissionais reputados da indústria conduziu um rigoroso processo de seleção. O painel acabou por escolher apenas um grupo muito restrito de trabalhos distinguidos para serem exibidos nas sessões oficiais em Annecy, composto por um projeto de animação em desenvolvimento e três curtas-metragens finalizadas, entre as quais se incluiu o filme do realizador português Cláudio Sá.
A inclusão de “The Nose” nesta lista exclusiva mereceu elogios especiais por parte dos jurados do festival, que destacaram formalmente a qualidade excecional da direção artística, bem como a originalidade e a criatividade com que a narrativa e as personagens foram construídas, classificando a obra de Cláudio Sá como uma pequena obra-prima. O sucesso do filme ganha ainda mais relevância pelo facto de ter sido concebido através de um modelo de produção a solo nos Pistachio Studios, recorrendo a um método híbrido inovador. O realizador combinou a animação assistida por inteligência artificial com técnicas tradicionais de desenho, modelação em três dimensões e uma direção de arte inteiramente feita à mão, provando o potencial da tecnologia quando colocada ao serviço da visão artística individual.
De acordo com as informações avançadas pelo Cine Clube de Avanca, esta curta-metragem propõe uma adaptação do célebre conto satírico do escritor russo Nikolai Gogol. A narrativa acompanha a história caricata de um homem profundamente obcecado pelo seu estatuto social. A intriga adensa-se quando, ao acordar numa manhã comum, a personagem descobre com horror que o seu próprio nariz desapareceu. Mais tarde, o protagonista acaba por encontrar o membro em falta a circular livremente pela cidade, mas com uma particularidade invulgar: o nariz assumiu a aparência e o comportamento de um alto funcionário do Estado, gerando uma série de situações absurdas que criticam a burocracia e a vaidade humana.
A produção do filme ficou a cargo dos Pistachio Studios, a estrutura através da qual Cláudio Sá tem desenvolvido o seu percurso artístico. Após a aclamação no território francês, o público português terá a oportunidade de assistir à obra muito em breve. “The Nose” integra a programação oficial da 30.ª edição do Avanca Film Festival, um certame de relevo no panorama cinematográfico nacional que arranca já no próximo dia 24 de julho de 2026.

