O realizador e argumentista premiado com um Óscar, Wes Anderson, está de volta com a elegante e estrelada comédia de espionagem negra, THE PHOENICIAN SCHEME; escrita por Anderson e concebida em conjunto com o seu frequente coargumentista e colaborador Roman Coppola (Moonrise Kingdom, Isle of Dogs, The Darjeeling Limited).
Prometendo o estilo visual característico de Anderson e a sua distintiva forma de contar histórias, esta peculiar jornada é um conto de espionagem absurdo e cheio de ação, que acompanha uma complexa relação entre pai e filha no seio de um negócio familiar.
O filme desenrola-se em torno de Zsa-zsa Korda (interpretado por Benicio del Toro), um personagem inspirado nos audaciosos capitalistas e magnatas globais — um anti-herói instantaneamente icónico. Korda é pai de nove filhos e de uma filha, Liesel, uma devota colecionadora de arte e amante da natureza. Constantemente assombrado por acusações de açambarcamento, evasão fiscal, manipulação de preços, suborno e, pior ainda, perseguido por uma missão governamental burocrática e clandestina que visa monitorizar (e desestabilizar) a sua empresa, Korda parece, para frustração dos seus perseguidores, ser indestrutível.
A filha de Korda, Liesel (Mia Threapleton), tem 21 anos. Tendo entrado para o convento em criança, teve pouco contacto com o pai. No entanto, Korda está determinado a torná-la sua herdeira e promete que, se ela o acompanhar, ele a ajudará a desvendar um segredo que ela desesperadamente quer saber. Será “The Phoenician Scheme” uma aventura global sobre um pai e uma filha aparentemente incompatíveis que acabam por criar laços? Não exatamente — Anderson é demasiado cauteloso com clichés. Mas é certo que a química gloriosamente estranha entre Korda e Liesel ecoa os pares insólitos anteriores de Anderson, como Max e Herman de Rushmore ou Gustave e Zero de The Grand Budapest Hotel, ao mesmo tempo que apresenta algo totalmente novo.
Não é um spoiler revelar o que é o “esquema” titular — é o motor principal da trama do filme. A Fenícia de Anderson é um país fictício, um equivalente com características do Médio Oriente à igualmente fictícia Zubrowka de The Grand Budapest Hotel (embora a Fenícia seja batizada com o nome de uma região antiga). O esquema de Korda nunca é explicitamente detalhado na sua totalidade, mas em essência é uma ambiciosa tentativa em várias fases para industrializar a Fenícia através de uma série de gigantescos projetos de infraestruturas e embolsar 5% das receitas durante os próximos 150 anos. Korda garantiu o investimento para financiar tudo, mas, infelizmente, os burocratas internacionais manipulam o preço de um componente de construção vital, tornando tudo muito mais caro. Em suma, a história segue Korda — acompanhado por Liesel e pelo infeliz tutor norueguês Bjorn (Michael Cera) — enquanto ele tenta extrair mais dinheiro dos seus investidores, ao mesmo tempo que executa o seu plano mais grandioso para proteger a fortuna da sua família.
Em termos de inspiração na vida real, o filme baseia-se nas histórias de verdadeiros “barões ladrões”, embora Anderson não tenha explicitamente afirmado se houve alguma fonte específica ou eventos históricos em que se baseou. Mas da mesma forma que The Grand Budapest Hotel aborda a invasão do fascismo — ou seja, aborda, mas sem moralizar —, é razoavelmente claro que “The Phoenician Scheme” tem algumas raízes na história da ascensão dos petro-estados do Médio Oriente em meados do século XX. Embora, novamente, não seja moralista.


