As Associações Estão a Construir um Mundo Melhor, Um Dia de Cada Vez!

Tenho orgulho em ser considerada uma especialista em associações.

Toda a minha vida fui uma membro, voluntária e apoiante apaixonada e entusiasta de associações. Tendo sido educada numa sociedade onde me diziam constantemente que “Deus ajuda quem se ajuda a si mesmo”, acreditei sinceramente que, quando estamos rodeadas de pessoas com as mesmas ideias que, através de objetivos ou propósitos comuns e metas partilhadas, criam uma comunidade, partilham problemas e se motivam e apoiam mutuamente, não há razão para que a vida nos limite a qualquer nível. Trabalhar com associações tornou-se apenas uma extensão natural desta crença.

Adoro as associações porque elas enriquecem diariamente as nossas vidas através do voluntariado, do estabelecimento de normas de qualidade e segurança, de conhecimento especializado e de cidadania junto de comunidades por todo o mundo. As associações dão acesso a pessoas e ideias que provavelmente não teria descoberto sem esta comunidade conetora. Mantêm as economias competitivas ao dedicarem recursos à aprendizagem ao longo da vida, ao desenvolvimento profissional, à mentoria e à investigação. Impactam o nosso futuro ao oferecerem a experiência e as perspetivas de muitos para prever, preparar e garantir o progresso.

Acima de tudo, especialmente neste clima económico, impulsionam a economia através do desenvolvimento industrial e profissional, da inovação em produtos e serviços, e da facilitação do comércio nacional e internacional, ao mesmo tempo, que atraem investimento.

As associações são um setor dinâmico e diversificado, e um forte contribuidor para a economia mundial — uma comunidade vasta e apaixonada, com um impacto considerável na qualidade das nossas vidas e uma importância coletiva para a sociedade.

Em Portugal, ainda há muito pouco conhecimento sobre este setor e, por questões de tradição ou culturais, existe uma visão errada e persistente sobre as associações e o papel que desempenham, assim como uma falta de tradição de adesão associativa. Mesmo quando se torna membro, a participação é muitas vezes passiva em vez de ser proativa ou de ter impacto.

No meu próprio setor, onde o papel do membro nacional na atração de eventos é crucial, esta passividade e falta de espírito de voluntariado significam que os nossos membros não são bem conhecidos ou reconhecidos dentro das suas associações. Como resultado, as candidaturas a eventos internacionais muitas vezes não recebem a atenção, ou o apoio interno, que merecem.

As associações de membros continuam a gastar muito mais em educação e desenvolvimento profissional do que em lobbying. Desde 2019, o número de associações comerciais, profissionais e de caridade na Europa cresceu cerca de 3,9%, com uma estimativa de 300 novas associações fundadas todos os anos.

Se considerarmos que está no ADN de uma associação reunir-se e educar os seus membros, o número potencial de reuniões, congressos e convenções que isto representa é o sonho de qualquer destino de reuniões.

Os números confirmam-no agora de forma mais categórica do que nunca.

De acordo com o 2026 Global Economic Significance of Business Events Study, produzido pelo Events Industry Council com a Oxford Economics, os eventos corporativos e associativos geraram 1,3 biliões de dólares em despesa direta a nível global em 2025 — 12,2% acima dos níveis de 2019, anteriores à pandemia —, reunindo 1,65 mil milhões de participantes em mais de 180 países.

Incluindo os impactos indiretos e induzidos, o setor apoiou:

  • 3,1 biliões de dólares em vendas empresariais totais
  • 1,8 biliões de dólares em PIB
  • 24,2 milhões de empregos em todo o mundo

 

Para colocar isto em perspetiva, 1,8 biliões de dólares em PIB posicionariam o setor como a 16.ª maior economia do planeta, à frente da Turquia, Indonésia, Países Baixos e Arábia Saudita. Ultrapassa agora a produção económica direta de indústrias como a aeroespacial, têxtil, equipamentos de telecomunicações e transporte aéreo combinadas — uma versão muito mais forte da comparação com a indústria automóvel que eu costumava fazer.

A recuperação por trás destes números também é importante. Até ao final de 2025, a atividade de pedidos de propostas (RFP) regressou a 102% dos níveis de 2019 e as dormidas de grupos em hotéis a 97%. A Oxford Economics prevê que o setor atinja 1,6 biliões de dólares em despesa direta e apoie 10,4 milhões de empregos até 2028.

Isto não é um setor a tentar recuperar a custo o patamar onde estava — é um setor que já ultrapassou o seu próprio pico pré-pandemia e continua a crescer.

As associações representam um cliente de grande relevância para este setor de reuniões e eventos corporativos, e atrair o seu negócio tornou-se uma batalha feroz, com destinos em todo o mundo a competir arduamente por ele.

Trabalhar com estas organizações é difícil, exige tempo e envolve riscos. Requer uma abordagem qualificada, profissional, informada e multidisciplinar. As decisões são a longo prazo e prolongadas, envolvem uma direção onde cada pessoa tem a sua própria agenda, contam com pouco ou nenhum capital inicial e, ainda assim, são altamente exigentes.

Ainda interessado?

É frequentemente aqui que perco a atenção dos meus fornecedores e a mente deles começa a dispersar.

Para mim, no entanto, é exatamente isso que torna o processo interessante.

Quando se trabalha com eventos associativos, está a produzir-se mais do que uma mensagem ou a posicionar uma marca — está a facilitar-se conhecimento, desenvolvimento e crescimento.

Os eventos associativos produzem legados que se entranham na sociedade a todos os níveis e têm um efeito multiplicador. Um único congresso internacional bem gerido pode deixar para trás novas colaborações de investigação, normas profissionais atualizadas ou um cluster industrial local mais forte muito depois de os delegados terem regressado a casa.

Sempre disse, alto e bom som, para quem quiser ouvir, que o turismo não produz reuniões — as reuniões é que produzem turismo.

Mas elas produzem muito mais do que isso, e é por isso que o meu investimento tem sido nos eventos associativos.

As associações deram-me negócio e ajudaram a elevar a notoriedade da minha empresa. Investi tempo, paixão e energia nelas. Encontrei mentores, obtive grandes aprendizagens, conselhos e apoio, e fiz amigos para a vida através das associações — e, com sorte, também dei algo em troca.

 

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Linda Pereira

Diplomata, Empreendedora e Investidora

CEO da CPL Events & Consultancy

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