O Aria é um projeto fascinante que ataca uma das maiores críticas feitas à indústria automóvel atual: a “obsolescência programada” e a dificuldade propositada de reparação.
Desenvolvido por uma equipa de cerca de 30 estudantes da Universidade de Tecnologia de Eindhoven (TU/e), integrados na equipa TU/ecomotive, o Aria não é apenas um carro sustentável pelos seus materiais, mas sim pelo seu ciclo de vida.
A premissa dos estudantes é direta: a complexidade dos carros elétricos (VE) modernos é, em grande parte, uma decisão de design. Muitas marcas utilizam baterias seladas, componentes colados em vez de aparafusados e software fechado que impede mecânicos independentes de intervir.
O Aria prova que é possível criar um carro onde o utilizador (ou um mecânico comum) pode aceder facilmente aos componentes críticos. A modularidade permite substituir apenas o que está estragado, em vez de trocar módulos inteiros e caros.
O carro foi construído com foco na economia circular e na facilidade de desmontagem.
Ao contrário dos pacotes de baterias gigantes e indivisíveis, o Aria utiliza unidades menores que podem ser substituídas individualmente se perderem capacidade.
O chassis e a carroçaria utilizam bioplásticos e fibras naturais (como o linho), que são leves e mais fáceis de processar do que o alumínio ou o carbono complexo.
O sistema de software é desenhado para ser transparente, facilitando o diagnóstico de erros sem exigir ferramentas proprietárias caríssimas.
Uma das grandes novidades do Aria é a implementação de um passaporte de materiais. Este documento digital detalha exatamente do que cada peça é feita e como pode ser reciclada ou reparada. Isso elimina a “adivinhação” no fim da vida útil do veículo, garantindo que quase 100% do carro possa regressar à economia.
Atualmente, enfrentamos um dilema. Os carros elétricos são melhores para as emissões durante a condução, mas se um pequeno dano na bateria levar o carro inteiro para a sucata (o que acontece frequentemente devido aos custos de reparação elevados), o ganho ambiental perde-se. O Aria serve como um manifesto tecnológico para pressionar os legisladores e fabricantes a adotarem o “Direito à Reparação” no setor automóvel.
Imagens: TU/Ecomotive

