A transformação das paisagens urbanas na China trouxe para a luz do dia um fenómeno visual e cultural inesperado. Nos centros comerciais mais movimentados, nas estações de comboios de alta velocidade e nos corredores do metro de várias províncias, os ecrãs publicitários gigantes já não servem apenas para promover marcas de luxo, aparelhos tecnológicos ou figuras do entretenimento. Em vez disso, essas plataformas de grande visibilidade estão a ser ocupadas por retratos imponentes de cientistas, físicos e investigadores agrícolas, acompanhados pelo resumo das suas maiores descobertas.
Esta estratégia de comunicação pública pretende alterar o ecossistema do reconhecimento social nas grandes metrópoles. Ao colocar figuras da investigação ao mesmo nível de visibilidade normalmente reservado a celebridades, a iniciativa pretende elevar o prestígio da ciência no quotidiano dos cidadãos. Em regiões como Shandong, a presença destes conteúdos espalhou-se por milhares de ecrãs em redes de transporte e espaços de grande afluência, transformando momentos de deslocação diária em oportunidades de contacto com o conhecimento.
A abordagem reflete uma intenção clara de influenciar as aspirações das camadas mais jovens e de redefinir o conceito de figura pública. Em vez de focar o consumo ou o entretenimento passageiro, a mensagem visual contínua nestes espaços urbanos celebra a curiosidade, o rigor técnico e o impacto direto do trabalho científico no desenvolvimento da sociedade.
Ao ocupar a infraestrutura publicitária das cidades com histórias de inovação e dedicação à investigação, a medida transforma o espaço público num meio pedagógico. O resultado é uma alteração direta na expetativa do que se observa nos ecrãs das metrópoles, onde o conhecimento científico ganha um palco central e permanente no dia-a-dia da população.
O conceito passou a ser conhecido como “a ciência como estrela”.
Os ecrãs destacam tanto figuras históricas como cientistas contemporâneos. Entre os nomes mais frequentes estão:
Yuan Longping: O “pai do arroz híbrido”, responsável por inovações agrícolas que salvaram milhões da fome.
Tu Youyou: Prémio Nobel da Medicina pela descoberta da artemisinina no tratamento da malária.
Qian Xuesen: O pai do programa espacial e de mísseis chinês.
Líderes de missões espaciais recentes (como o programa Chang’e na Lua ou a estação Tiangong).
O intuito é mudar as aspirações dos jovens, promovendo a curiosidade científica e o conhecimento em detrimento da cultura de influencers e entretenimento passivo.
O movimento começou com campanhas regionais em províncias como Shandong, Zhejiang e Jiangsu, expandindo-se rapidamente para metrópoles como Pequim, Xangai e Shenzhen durante datas como o Dia Nacional dos Trabalhadores de Ciência e Tecnologia.

