Substituir funcionários por Inteligência Artificial não é tão simples como trocar de fornecedor. Muitas empresas avançaram para despedimentos em massa em nome da eficiência e da redução de custos, mas a realidade chegou com a primeira fatura dos serviços tecnológicos. Os gestores estão a descobrir que trocar pessoas por algoritmos significa apenas trocar salários por faturas.
O modelo de negócio da IA baseia-se em tokens, as pequenas unidades de informação que o sistema processa para ler ou gerar texto. Numa fase de testes, o custo parece insignificante. Contudo, quando a tecnologia é aplicada à operação real do dia a dia, em relatórios, análises ou apoio ao cliente, o consumo dispara para milhões de unidades e a despesa cresce de forma exponencial.
Vários líderes de mercado já começaram a alertar publicamente para este problema. O CEO da startup Mercor, Brendan Foody, admitiu que a empresa já gasta mais em tokens do que com a folha de salários, antecipando que esta será a realidade de muitas organizações em breve. Na mesma linha, os responsáveis pelo Commonwealth Bank of Australia e pela Uber alertaram para a escalada rápida dos custos à medida que as tarefas se tornam complexas, sublinhando a dificuldade em provar o retorno financeiro do investimento. O caso mais extremo envolve uma empresa que chegou a gastar cerca de 500 milhões de dólares num único mês por não ter imposto limites de consumo na utilização da tecnologia.
Há também uma limitação prática crucial que raramente é mencionada. Ao contrário de um profissional humano, a IA não tem capacidade de improviso. Perante um erro de contexto, de acesso ou uma falha de infraestrutura, o sistema simplesmente para de funcionar, pois não tem experiência acumulada para contornar o problema.
Além disso, para que um agente de IA seja verdadeiramente útil, precisa de acesso total aos sistemas, contratos, documentação interna e bases de dados da empresa. Isto cria um novo e grave problema de dependência. As organizações que começaram este processo para reduzir a dependência de pessoas estão agora presas a fornecedores de tecnologia externos, centros de dados e faturas que crescem a cada tarefa executada pela máquina.
A Inteligência Artificial vai transformar o mercado de trabalho, mas ter uma tecnologia inovadora não significa ter um modelo de negócio financeiramente sustentável. Muitas empresas estão agora a aprender esta lição da forma mais dispendiosa possível.

